Lucro de R$ 14 bi prova que banco não tem crise

Mesmo em meio à lenta retomada da economia – fortemente ameaçada por um rombo fiscal que pode ultrapassar os R$ 159 bilhões neste ano – e com as concessões e crédito ainda em marcha lenta, os bancos conseguiram aumentar os lucros no segundo trimestre de 2017. As quatro grandes instituições de varejo que já divulgaram seus resultados alcançaram entre abril e junho lucro líquido contábil de R$ 14,423 bilhões, o que representa um crescimento de 7,1% ante igual período do exercício passado. Em comum, essa melhora no resultado veio, principalmente, da redução das despesas com devedores duvidosos (PDD) e das receitas com tarifas, que continuam crescendo.

O maior lucro foi registrado pelo Itaú Unibanco: R$ 6,014 bilhões, uma alta de 9%. Já em termos percentuais, o do Santander foi o que apresentou a maior alta: 50,4%, para R$ 1,879 bilhão. Já o Banco do Brasil lucrou R$ 2,619 bilhões entre abril e junho, uma alta de 6,2%. O único com queda foi o Bradesco, que está em processo de incorporação do HSBC, e viu o seu lucro contábil cair 5,4%, para R$ 3,911 bilhões. A Caixa ainda não divulgou balanço.

Para João Augusto Sales, analista da Lopes & Filho Associados, o que incrementou os resultados foi a redução da PDD, uma reserva que a instituição faz para lidar com eventuais calotes. A expectativa de crescimento da economia reduz, em tese, o risco da carteira de crédito. Nesse cenário, os bancos conseguiram reduzir essa despesa, em especial as provisões adicionais.

Grandes empresas, como BRF, Eletrobras, Ambev, Gerdau, Petrobras e Usiminas, ou tiveram prejuízos nesse período ou os lucros encolheram. A gigante do setor de alimentos, por exemplo, teve perdas de R$ 167 milhões no segundo trimestre do ano. A Eletrobras teve lucro líquido de R$ 306 milhões, redução de 97,5% em relação a igual período do ano passado. A gigante cervejeira teve lucro de R$ 2,141 bilhões, 2,4% menor do que no mesmo período de 2016. Direta ou indiretamente, essas companhias estão sentindo reflexos da baixa demanda do consumidor.

Os quatro bancos de varejo chegaram ao fim de junho com um total de crédito de R$ 1,999 trilhão, recuo de apenas 1% em relação a igual período do ano passado. Isso justifica a manutenção da lucratividade, pois essas operações geram ganhos com juros (embora menores do que no ano passado, pois a queda da Selic reduziu os juros bancários), taxas de administração e tarifas.

Com as receitas das operações de crédito em queda, os bancos tentam, e conseguem, ampliar os ganhos com mais tarifas e taxas cobradas dos clientes, que cresceram em todos eles. As chamada receitas com serviços incluem cobranças sobre os pacotes de contas correntes, cartões de créditos, taxas de administração de consórcios e fundos e as comissões em assessorias, explica Sales.

Marcelo Labuto, vice-presidente de negócios de Varejo do BB, lembrou que as tarifas com serviços de conta corrente e captação de recursos (gestão de fundos) são as mais significativas para o setor bancário. Porém, há espaço para alta nas receitas com prêmios de seguros.

Fonte: O Tempo

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