Meninas eram exibidas em piscina durante festas em sítio de Betim

A tortura e o assassinato de duas adolescentes que participaram de uma orgia em um sítio em Betim, na região metropolitana, na última sexta-feira, revelou um esquema muito maior de prostituição envolvendo menores de idade e pessoas influentes. A Polícia Civil apresentou nesta terça (21) o primeiro detido pelos homicídios e deu detalhes sobre o esquema. Segundo o delegado Rodrigo Rodrigues, as festas eram regadas a bebidas e havia consumo excessivo de drogas. Cada edição das orgias contava com cerca de 15 homens e 15 meninas. Assim que chegavam, as garotas entravam na piscina apenas com a parte de baixo do biquini e esperavam ser escolhidas pelos clientes, que ficavam acomodados em mesas.

Os eventos aconteciam entre 16h e 23h30. “Os homens eram casados, e o horário tinha que ser compatível com o trabalho deles”, conta o delegado. As meninas, que chegavam a ter 15 anos, eram aliciadas pelo casal Waldisley Quenupe de Souza, o Wal, e pela mulher dele, identificada apenas como Andreia. Elas recebiam de R$ 150 a R$ 300 por programa. “Havia grupos permanentes e estáveis de participantes (clientes). As adolescentes tinham a liberdade de escolher os dias que queriam participar”, diz Rodrigues.

A maioria das garotas morava no conjunto habitacional conhecido como Marião, no bairro Maria Conceição, em Contagem, também na região metropolitana. A reportagem esteve na terça-feira no local e conversou com familiares das meninas mortas. O pai de uma das vítimas disse que não sabia que ela se prostituía.

“Jamais falei para ela entregar o corpo a troco de drogas e porcaria. O que eu mais queria era o bem dela. Não precisava disso. Naquele dia, falei com ela pela última vez: ‘Deus te leva, Deus te traz’. Depois, só vi a cara dela no caixão”, lamenta o pedreiro de 54 anos.

Suspeitos. A Polícia Civil apresentou Lúcio Rodrigues Ferreira Neto, 19, um dos quatro suspeitos dos homicídios. Ele teria disparado o tiro no peito da única sobrevivente, de 15 anos. Ele negou o crime e disse que estava em casa com a mulher e a filha, recém-nascida. Ele diz que muitos vizinhos o viram naquela noite.

A polícia ainda procura três dos suspeitos de envolvimento nos homicídios. Os foragidos são Renato Henrique de Almeida, 27, Osmar Amaral Ferreira, o Lulu, 26, e Elismar Santos da Silva, 31. Segundo o delegado, no dia 3 deste mês, os quatro foram presos por tentar furtar um ferro-velho e, depois, liberados pela Justiça.

Aliciamento

Presos. Três pessoas chegaram a ser detidas por aliciamento de menores e favorecimento à prostituição, mas foram soltas na terça-feira. Três assassinos são procurados, e um está preso.

‘Foi demonstração de força’

O delegado Rodrigo Rodrigues contou que dois dos assassinos chegaram à festa, na última sexta-feira, por volta das 20h, quando as menores já estavam tomando banho. Elas não quiseram fazer sexo com eles, e começou uma discussão. Um deles jogou cerveja em uma das meninas, e as outras saíram em defesa dela. Uma garota, segundo o delegado, teria questionado a masculinidade de um dos homens, falando que “ele não tinha nem arma”. A garota também teria citado um ex-namorado, traficante e rival de um dos homens.

“Eles fecharam o portão do sítio e acionaram os comparsas para levar armas. Elas foram executadas para demonstrar força. Um ataque de ego”, disse o delegado. “As adolescentes começaram a ser puxadas pelos cabelos, foram espancadas e levaram coronhadas. Depois, mortas”, completou.

De acordo com Rodrigues, as meninas foram retiradas do sítio, levadas de carro e torturadas. “A cerca de 1 km do sítio, a primeira é alvejada. Eles seguem com as outras duas e vão espalhando os corpos até Esmeraldas”, explicou ele, sobre a dinâmica do crime.

Entenda

Crime. Duas garotas foram torturadas e assassinadas, uma com dois e outra com nove tiros na cabeça, após participarem de uma orgia em um sítio de Betim – uma terceira menina conseguiu escapar depois de se fingir de morta. Elas teriam se recusado a fazer sexo com “clientes” e debochados deles.

As orgias. As festas reuniam políticos e empresários endinheirados. Elas seriam organizadas por um ex-candidato ao governo de Minas, Eduardo Ferreira de Souza, que teria convidado dois dos assassinos. O político nega tudo.

 FONTE: O Tempo

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